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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Manjericos na calçada cheiram bem!


Encontrei o manjerico na calçada,
no Santo António de Almada.

É um manjerico feito de água,
de "água fria e clara",
frágil, memorável,
transparente, perfumada.

"Numa noite azul"
fria e clara...
encontrei o manjerico na calçada.

Passem-lhe a mão por cima,
devagar, devagarinho,
e levem convosco
o cheiro intenso,
frágil, transparente,
memorável.

É um manjerico feito de água,
de água transparente e clara.

Trouxe-o até aqui,
para vos agradecer
do fundo do coração,
onde mora a gratidão,
todo o vosso carinho, companheirismo e amizade.

Imagem: Manjerico na calçada. Jun. 13; Almada, Portugal.

Obrigada _/\_



 Maria

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Seres de Terra-Mar




Imagem: Trilhos de Terra-Mar. Portugal, Out. 2017.

Há um brilho de luz a arder
que leva seres da terra ao mar,
Há um trilho de névoa cinza
que entristece a sua alma.

Há passos, tempos, memórias,
vidas apagadas, que se arrastam de trás.

E trás! Soam os seres
que sós caminham
deixando os escombros e as sombras
e a terra de antepassados.

E de novo, mais e mais uma vez...
Transfigurai-vos, seres de Terra!
Procurai-vos no Mar.




(Maria, 19-10-2017)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Chapéus-de-sol


Imagem 1: "Chapéu-de-sol". Set. 2017, Portugal.
 
 
Quando chega o fim do verão
os chapéus descem lá dos céus
dão uma reviravolta
assentam-se no chão
e em posição assim ficam
apanhando os últimos raios de sol.

Ficam no morno do ar e da areia
deixando-os passar passar
até à próxima estação...

São guardadores de sol, os chapéus.
Conhecedores de ventos e raios,
de sal, memórias e pensamentos,
de fusos e horários,
de gentes.
 
 
 
Imagem 2: "Chapéus-de-sol". Set. 2017, Portugal.
 Maria, 04-10-2017

sábado, 27 de maio de 2017

Lembras-te?...


«Debaixo de tanto calor,
o pássaro arranjou um ramo verde e fresco,
e pôs-se a falar.

O pássaro perguntava-me:
"Lembras-te das grandes árvores,
com lágrimas douradas de resina?"

Respondi-lhe que sim, que me lembrava,
que naquele tempo ouvíramos falar em âmbar,
e queríamos fazer colares de resina:
mas em nossas mãos ela perdia a transparência.

"Lembras-te dos cajus maduros,
caindo fofamente na folhagem morta do chão?"

Respondi-lhe que sim, que ainda os via,
muito longe, amarelos e túrgidos,
às vezes, rebentados, na queda,
escorrendo, perfumosos, sumo doce.

"Lembras-te das rodelinhas douradas
que a folhagem e o sol balançavam por cima dos livros?"

Respondi-lhe que sim, e que eram livros de histórias,
e foram depois romances, e um dia poemas,
e mais tarde pensamentos difíceis...

E o passarinho perguntava:
"Lembras-te da tua voz devolvida pelo eco?"

E eu me lembrava, mas não das palavras,
só que as respostas eram sempre incompletas.

"E o recorte da montanha, no horizonte,
lembras-te como era azul e negro? E as palmeiras?
E as sebes de flores encarnadas?"

E eu me lembrava de tudo, e sentia o aroma da tarde,
e o canto das cigarras, e o lamento dos sabiás
e das rolas,
e via brilhar a bola azul do telhado, que amei tanto,
e sentia, tão doce, a minha perpétua solidão.

E perguntei ao pássaro:"Onde estavas,
para me perguntares tudo isso?
Também já viveste tanto?"

E ele me respondeu: "Não, tudo isso está no fundo dos teus olhos.
Eu só vou perguntando o que estou lendo...
E, porque o leio, canto."»
(Cecília Meireles, Diálogos do jardim)

Foto: Encontro com um passarinho. Maio de 2017, Portugal.

De vez em quando, 
é bom parar para escutar o pássaro a cantar.

Maria, 27-05-2017

terça-feira, 18 de abril de 2017

A Porta...


    Perguntei à porta: Quantos anos tens?

 A porta (esta porta)
Imagem: Mosteiro dos Jerónimos, Santa Maria de Belém (1). Lisboa, Portugal.
respondeu-me:
- Bem, estou aqui desde que o mosteiro foi edificado e concluído, o que aconteceu aproximadamente em 1580.
Pensei: ou a porta perdeu a memória, ficou louca e perdeu-se no tempo ou o tempo que passou por aqui não encontrou a porta para passar...
 
Imagem: Mosteiro dos Jerónimos, Santa Maria de Belém (2). Lisboa, Portugal.

Há sítios assim...
Gosto de me encontrar com eles... entrar, ouvi-los contar, brincando com o tempo o tempo todo, mesmo mesmo ao nosso lado no tempo.    
Maria

Correntes humanas...



Muito obrigada pela oportunidade de me juntar a todos vós

 _/\_

Imagem: "IMiF, International Minds in Finland" in Human Currents - Book Launch Lisbon, 17 Ap, 2017.


Gostei muito de vos ouvir e de conhecer as vossas experiências de vida 
:)

Imagem: "Human Currents" Book.
Imagem: "Human Currents" (p.1)
Imagem: "Human Currents" (p.3)
Imagem: "Human Currents" (pp.8-9).
Imagem: "Human Currents" (p.7)

E também de conhecer de perto a

ParaBéns a todos!
E muito obrigada
_/\_
Um abraço \o/ 
Thank You
Maria 

«We're of different races, cultures & traditions
 sharing a common planet Earth
 "clearly ocean" blue
 full of visible and invisible bridges
 that floats in an immense unknown universe.
      The fool uses that as a tool of division.
The wisw man sees it as a reason for celebration.»

domingo, 16 de abril de 2017

Gracinha menina...



Minha Mãe, minha amiga,
já te disse como és bonita?
E como gosto tanto, tanto,
de te abraçar e beijar,
e com meus braços e passos te acompanhar?
Um a um, e todos juntos, quero que saibas...
E tu sabes bem! Cá estamos, cheios de gratidão, para contigo todos os dias a vida celebrar.
Mas hoje és especial.

Hoje és a menina que nasceu pequenina e franzina, e que sobreviveu por milagre.
Hoje és a criança que cresceu entre pais e avós e muitos irmãos que te chamavam Gracinha e mãe.
Hoje és a jovem que viveu no campo e na cidade, em Portugal e na distante Angola, que tu tanto recordas, e contas como foi lá que aprendeste a andar, e cair, de mota.
Hoje és a mulher que amou meu pai e que quiseste ter a teu lado a sua vida inteira. Sua companheira, esposa, e minha mãe.
Hoje és a mãe que sempre esteve presente, quando meu pai, longe, não podia estar. E hoje, naquele sítio mesmo longe, onde ele está, para onde se vai com a eternidade, continuas a amar e estar.
Hoje és a avó que sempre dá e ensina e ama e pacientemente está.

Hoje és a menina guerreira, que sempre lutou e me ensinou a estar e a acreditar que sim, que existem milagres.
Obrigada, Mãe.
Maria, 15 Ab 2017

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Às vezes...


Imagem: "Ar Co-Íris". Portugal, Fev. 27, 2017.
Às vezes aqui faz frio...
E chove, troveja, neva,
E abre o sol, e fecha,
De fio a pavio!

É o tempo que somos... e agora?

Às vezes, às sete...
aqui faz cor!
E o instante, gravado no céu, anuncia em ar co a viagem, em linguagem divina.

Às vezes, a noite é longa...
É ora e revejo, na madrugada
inacabada, a escada colorida, flutuando em pontes de Íris cintilantes! 

E o véu,
em azuis tons de fundo,
descortina caracteres de luz universais, em fluídas lágrimas celestiais.

Maria

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Muros perfumados...


Imagem: Muro de rosas e heras (1). Junho, 2016; Portugal.


 

São rosas, são muros de hera perfumados, 
os que tenho no meu jardim!...
Dispostos à sua vontade, 
crescem em botão 
e se transformam em largura, 
comprimento, altura...

 

Imagem: Muro de rosas e heras (2). Junho, 2016; Portugal.






Desenham labirintos, em profundidade, 
vêem trilhos lá do alto e espirais, 
espreitam de vez em quando 
e cheiram em toda a parte.





Imagem: Manjerico na calçada (3). Junho, 2016; Portugal.



 
 
Depois... depois virão os manjericos, 
que andam à solta nas ruas, nas calçadas, 
nas janelas, nos murais, por todo o lado!
Andam juntos, em vasos e versos, 
saltam os muros, dão poesia aos santos 
e aos dias de antes e do verão.






 
Imagem: Manjerico no mural (4). Junho, 2016; Portugal.





 
Vestem os junhos de verde, 
rosa, branco..., 
intenso, 
navegando(nos) com afeição.

 








Bom Junho, aproveitem os dias, todos o momentos!
Abraços 
\o/
Maria, 13-06-2016

domingo, 8 de maio de 2016

Andorinhas


Esvoaçam o céu...
Dançam ao vento...
Sobem e descem...
Pairam no ar.

Vão e voltam... abraçam... em certo e ternurento movimento.
Pousam amor 
em ninhos de crias. 
Cheios de vida, 
de alimento.


Imagem: Ovo de andorinha. Portugal, Abril/2016.
Imagem: Andorinhas/Ninhos. Portugal, Maio/2016.
Imagem: Andorinha. Portugal, Maio/2016.

(Maria, 08-05-2016)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Dia da Espiga


Neste dia de espiga molhado,
fomos cumprir a tradição,
um raminho de flores do campo,
para todos com coração!


Imagem: Ramo de Espiga, Portugal.

Se águas de maio dão
pão para todo o ano,
que não faltem, também,
paz, saúde, alegria,
ouro, prata, 
amor e vida
a todos,
a cada família!

Maria, 5-05-2016


Mais sobre o Dia da Espiga:

quarta-feira, 13 de abril de 2016

No meio do beijo...



Beija uma vez
duas três
quatro cinco seis
Beija outra vez
v ô a m
vês?

Imagem: O beijo da árvore. Abril, 2016, Portugal.

Beijinhos
para todos vocês
_/\_
 Maria
Do centro, templo da alma, sai um beijo ao sol.

"Sinal da unidade, símbolo da união, aquele cuja alma sai ao beijar adere a um outro espírito, a um espírito do qual nunca mais se separará. Esta união inseparável, de espírito a espírito, chama-se beijo. Na antiguidade assumiu um significado espiritual. E o beijo reproduz-se, comunica-se a um outro. Do tronco, dos primeiros ramos saem outros ramos e mais outros, superiores, atraídos pela luz do céu, e, entre eles, as aves voam..." (Fonte: Dicionário dos Símbolos - J. Chevalier, A. Gheerbrandt. Ed. Teorema, Lisboa/1994, "Árvore" e "Beijo", pp.88-89; p.119.)

quinta-feira, 24 de março de 2016

Eostre



Assim o pássaro ficou lebre 
até que a Primavera chegou...


Imagem: "24-03-1: Eostre Full Moon." in https://flic.kr/p/FvdD9a
Imagem: "24-03-2: Eostre Full Moon." in https://flic.kr/p/EFFARS
Imagem: "24-03-3: Eostre Full Moon." in https://flic.kr/p/FvdzH2
Imagem: "24-03-4: Eostre Full Moon." in https://flic.kr/p/Fc2CTj
Imagem: Lua Cheia da Primavera, Mar. 24, 2016. Portugal.

Que a "Lebre de Eostre" se transforme em "Pássaro"
na Lua Cheia da Primavera
como nova vida e viagem.

Um abraço
\o/
Maria

segunda-feira, 21 de março de 2016

Árvores poemas...


"As árvores são poemas
que a terra faz ao céu..."

Imagem: "As árvores são poemas...". In https://flic.kr/p/EBcc4F

Algumas, rectas.
Outras, curvas.
Umas, sós.
Todas, juntas.

E contam, aprendem,
e lembram...
Alimentam suas crias.

Pelas raízes, ternamente,
mantém vivas
as que caem, tombadas.

Criam rugas,
envelhecem,
e assim ficam, 
eternamente abraçadas.

(Maria, 21-03-2016) 



Mais: 
"... as árvores também têm redes sociais"
"... trees have social networks, too"

quarta-feira, 16 de março de 2016

Até um dia... Nico


Tu querias ir com a chuva,
com as lágrimas da vida.
A chuva não queria que fosses
e, num chamamento, pediu ao sol
que iluminasse, brilhante,
a tua despedida.

Adeus, Nico. 
_/\_
Obrigada.
Até um dia...


"Sou João Nicolau de Mello Breyner Moreira Lopes. (...) Todos me chamavam por Breyner e Nicolau, que era um nome que não existia. E depois, Nico. Ficou assim." (In Entrevista "Nicolau Breyner: É grave, não sinto que estou a envelhecer.")
 Nicolau Breyner nasceu a 30 de Julho de 1940 no coração do Alentejo profundo. Faleceu a 14 de Março de 2016 na luz de Lisboa.
(Maria, 16-03-2016)

sábado, 5 de março de 2016

Écloga da primavera



Adormece um pokim agora, Ó chuva! psiu, psiu
Acalma um momento, Ó frio! chiu, chiu
Descansa teu sopro, Ó vento! zum, zum
Acorda aí o tempo claro, Ó sol! trim, trim
Embala(me), leve, Ó alma da primavera!

 
Imagem: Moinho de vento. Fev. 2016, Portugal.
 
Maria, 05-03-2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Muito Obrigada!



Bom dia :)

E muito obrigada!

A todos vós _/\_


Imagem: Bem-Hajam!

Um simples "obrigada/obrigado"
levanta o "astral",
reconhece a amizade,
o trabalho profissional.


Este gesto cordial
convida as pessoas ao fundamental,
e numa palavra apenas
sentem-se estimuladas, reconhecidas, valorizadas.

É palavra mágica, também,
que gera bem-estar e satisfação,
boa para quem fala
e para quem escuta com o coração.

"Obrigada/Obrigado",
não é obrigação!...
É atenção, carinho, respeito, sorriso, gesto, atitude...,
gratidão.

E precisamos tanto!
Porque calamos, então?


Dizem que hoje, 11 de janeiro, é Dia de Obrigada/Obrigado!
E, também, que a data nasceu nas redes sociais.

Então, hoje, em cada dia... momento, ocasião,
a cada amigo, familiar, colega, leitor, autor,
colaborador, companheiro de palavra,
conhecido, desconhecido, alguém...
digamos, demonstremos:

"Obrigada/Obrigado",
"Agradecida/Agradecido"
"Grata/Grato"
"Bem-haja"

Bem-Hajam!
Não é mania. É palavra. Mágica também.

Sintam-se abraçadas \o/ abraçados \o/
e o meu "O bri ga da" para todos!

_/\_
 
Maria, 11-01-16

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Janeiras


Nessa noite fria de Janeiras, 
nesse dia que é de Reis, 
eu canto a todos de porta em porta, 
para que tenham saúde, paz e prosperidade. 

Canto também para que sintam felicidade. 

E que tenham sabedoria para aceitar,
sentir todas as emoções 
que fazem parte de nós, da vida. 

Que não temam o medo, a tristeza..., 
que os procurem entender em vez de os ignorar. 

Canto também para que todos sejamos solidários 
e que, juntos, possamos crescer,
evoluir como e com humanidade. 



Imagem: À volta do Madeiro. Cântico tradicional das Janeiras, Portugal.


Abraço, Maria

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Memória de Natal


Imagem: Campos de Natal. Dez. 2015, Portugal.


Se eu fosse
a memória do Natal,
eu seria assim...
 

Hoje, criança,
tal como sou,
ando com ele
dentro de mim.  





Maria, 22-12-2015

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Reino maravilhoso...

Imagem: Árvores de Natal. Dez. 2015, Portugal.

Era uma vez um reino maravilhoso...
Quando a poeira das estrelas
desceu à terra,
semeou de luz,
povoou de nós.

Muito, muito tempo passou,
e, desde então, tudo mudou.

Mas algures, no nosso coração,
sabemos quem somos.

Por isso vestimos as nossas árvores pelo Natal.
E as cobrimos com esses mantos iluminados.
Para, vazios, nos lembrarmos...

Maria, 17-12-2015