segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Eu conheço um Poeta... Plural como o Universo!




"Nas faldas do Himalaia o Himalaia é só as faldas do Himalaia.
É na distância, ou na memória, ou na imaginação que o Himalaia é da sua altura,
ou talvez um pouco mais alto."



Imagem: Paisagem de Montanhas



Eu conheço um Poeta,
"PluraL como o Universo",
que viveu noutro milénio,
do século passado,
e se foi a um 30 de Novembro.

Um Poeta de desassossegos,
íntimos, e fora de si,
escrevendo, ora em nome de personagens
que inventava, para consigo falarem,
se entenderem e acalmarem,
gentes, como Reis, Campos, Caeiro,
que depois calava,
 ora em nome de si,
sua Pessoa, que mostrava simplesmente.

Eu conheço um Poeta-publicitário,
que inventou um slogan
para uma bebida proibida,
em terras lusas,
até 74 do século passado,
e consumida, por contágio,
noutros sítios com sabor
a língua portuguesa,
porque sim.
E que dizia assim:
"Primeiro estranha-se,
depois entranha-se."
E ficou em mim.

Eu conheço um Poeta-génio,
que aspirava ao lugar de "Conservador-Bibliotecário",
num Museu-Biblioteca de Cascais,
e que sem meios,
mas cheio de palavra, cultura e documentos,
ainda assim, não serviu para esse fim.
E desesperado com a vida, numa carta
endereçada a Suas Excelências,
e respectiva Comissão Administrativa,
que representavam,
escreveu assim:

"(...) Salvo o que de competência e idoneidade
está implícito nas habilitações indicadas
como motivo de preferência (...)
e portanto se prova documentalmente
pelos documentos referentes às indicações (...),
a competência e a idoneidade não são susceptíveis
de prova documental.
Incluem, até, elementos como o aspecto físico e a educação,
que são indocumentáveis por natureza."   

Eu conheço um Poeta Universal,
que escrevia em inglês, em francês...,
e a língua portuguesa amava.
Que hoje é de todos,
e no milénio em que viveu,
era de alguns, apenas,
de si e de amigos e colegas
que espalhavam a sua poesia
e o que mais escrevia,
em fragmentos, cartas e contos
que criava e produzia,
e que irritavam, alguns,
que ouviam,
em Águias que voavam
ou em Orpheus que escandalizavam.

Eu conheço um Poeta em vida (im)publicado,
nem livro, excepto um,
nem folheto algum,
que hoje anda por todo o lado.
Sem público, por lhe faltar,
nem dinheiro seu,
que não tinha, não gastava,
nem, inutilmente, a editor fazia gastar.

Eu conheço um Poeta que gostava de dizer,
ou "melhor, de palavrar"
e escrevia, ora de pé,
ora pelas ruas vagueava,
e, de vez em quando,
numa "Brasileira" ou num "Martinho da Arcada"
se sentava.
E "Em Busca da Belleza" rabiscava.

Eu conheço um Poeta que em vida
uma "Mensagem" nos deixou,
profética, da História de Portugal,
e da Alma desse povo-mistério,
nos diz assim:
"Falta cumprir-se Portugal!"

E que sonhava:
"Passados os quatro tempos do ser,
a terra será teatro do dia claro",
da Alma, por despertar,
daquela metade que é medo,
mistério a descobrir,
cabo por ultrapassar.

Se "As nações todas são mistérios,
cada uma é todo o mundo a sós..."
"Cumpriu-se o Mar",
Falta vencer o mar imenso,
que separa as almas de todos e
de cada um de nós.
Que a Terra seja uma só!

Eu conheço um Poeta...
que nas Almas, suas,
viveu, estrela só,
"Plural como o Universo"
ainda, a brilhar pra nós.

(Maria, 30 de Novembro, de 2015)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Doce e certinho verão de São Martinho...


Conheço um país
com um verão no outono,
a meio da estação.

Onde mansas abelhas caseiras
pacientemente transformam canseiras 
em doce, que semeiam.

Carregam a vida consigo,
dançam à volta, à volta, de nespereiras em flor,
para cá e para lá.

E o futuro transportam,
generosamente,
em silenciosa, paciente e grandiosa canção.

Que não se vê, 
se ouve baixinho, zumbindo,
e mora na t(r)oca e no coração.


Foto: "110115-2843: Nespereira em flor ~ Medlar tree in blossom, Nov. 1, 2015 - Portugal" (in https://flic.kr/p/zUnmR4)


 Pelo São Martinho,
conta a lenda,
semeia-se e partilha-se
com carinho.

Na Natureza também!
Voando de flor em flor,
dançando andam
doces abelhas,
recebendo e dando,
semeando o futuro.


Neste verão de São Martinho, assim certinho, um doce abraço para todos com carinho  \o/
Maria
 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Mudança de estação...


Quando o Sol e a Terra se encontram
em mudanças de estação
o que dirão um ao outro,
nesta movimentação?
O que escutarão
os seres que habitam os seus corpos?
O que ouvirão os seus espíritos 
em ressonante e harmónica conjugação?
Sentirão uma nova vibração?
Prestarão, eles, atenção à vida
e toda a sua jornada?
Mudança de estação,
ligada,
é guia...
é renovação,
experimentação,
alada, a mágica ondulação,
até à próxima chegada.


Imagem: Equinócio de setembro, 2015



(Maria, 23-09-2015)

"This being human is a guest house.
Every morning a new arrival.
A joy, a depression, a meanness,
some momentary awareness comes
as an unexpected visitor.
Welcome and entertain them all!
Even if they are a crowd of sorrows,
who violently sweep your house
empty of its furniture,
still, treat each guest honorably.
He may be clearing you out
for some new delight.
The dark thought, the shame, the malice.
meet them at the door laughing and invite them in.
Be grateful for whatever comes.
because each has been sent
as a guide from beyond
."
 
(Rumi, The Guest House)

sábado, 22 de agosto de 2015

Querido O'Neill...


 "Entre o viver e o sonhar / Há uma terceira coisa. / Adivinha-a."
(António Machado)

"A minha vida, lisa, aplastada, chata como tem transcorrido, só pode ser inventada. E, seguramente, foi assim que eu passei a vida: a inventá-la."
(Alexandre O'Neill in Memórias - "Uma Coisa em Forma de Assim")

Imagem: "Vida de Girassol"

Hoje andei passeando pelas tuas memórias, pela tua solidão:
"A solidão é uma situação prometedora. Promete o quê e a quem?"

Pelo teu exílio interior:

"Muitos escritores e artistas escolheram o exílio interior como meio de preservarem a sua integridade frente a uma sociedade indiferente ou hostil à participação... O exílio interior não é, propriamente, a morte civil... O exílio interior é, antes, um voluntário isolamento... Não se trata, a bem dizer, de uma fuga, mas, antes, de um afastamento para dentro, para o interior." 

Aprendendo contigo a Esperar o Inesperado:

"Esperar o inesperado é uma expectativa que se abre sem limites definidos, sem trajectória, sem apostar seja no que for. A esperança não tem nada a ver com este exercício permanente de disponibilidade. Nem, propriamente, a surpresa. Esperança e surpresa estão demasiado contaminadas de humano para poderem participar nesta disponibilidade para o que vier de um lá que nem sabemos onde se situa, onde terá vigência. E, no entanto, a busca do inesperado impõe-se... Foi Heraclito quem muito bem formulou esta imposição: «Se não buscas o inesperado não o encontrarás, que é penoso e difícil encontrá-lo.». Portanto, não esperar, mas buscar, o que implica... um moto próprio."
E a Desaprender:

"Quem não tiver uma curiosidade encarniçada por tudo o que o rodeia, quem alguma vez supuser que dá mais do que recebe, está perdido para o tal desaprender que repõe em causa ideias e formas. É que, depois de se saber tudo, estará sempre tudo por se saber. O criador deve ter a consciência de que, por melhor que crie, não consegue mais do que aproximações a uma perfeição que lhe é inatingível. Ele é um derrotado à partida. Sabê-lo e, apesar de tudo, prosseguir, é o seu único e legítimo motivo de orgulho. O resto é bilros.
Há uma altura em que, depois de se saber tudo, tem de se desaprender. Sucede assim com o escrever. Com o escrever do escritor, entenda-se. Eu, provavelmente poeta, estou a aprender a... desaprender. E para quê e como se desaprende? Para deixar de ronronar, para que o leitor, quando o nosso produto lhe chega às mãos, não exclame, satisfeito ou enfastiado: «- Cá está ele!»
Na verdura dos seus anos, a preocupação do escritor parece ser a da originalidade. Ser-se original é mostrar-se que se é diferente. E as pessoas gostam das primeiras piruetas que um sujeito dá. E o sujeito gosta de que as pessoas vejam nele um talento.
Atenção, vêm aí as receitas, as ideias feitas, os passes de mão, os clichés, os lugares selectos ou, mais comezinhamente, os lugares comuns. O escritor está instalado. Revê-se na sua obra. Começa a abalançar-se a voos mais altos, a mergulhos mais fundos. É a intelectualidade que o chama ao seu seio, o público que o põe, vertical, nas suas prateleiras. Arrumado.
Quase sem dar por isso, o escritor acomodou-se e tornou-se cómodo, quando propendia, nos seus verdes anos, a incomodar-se e a tornar-se incómodo... Vai a colóquios, celebrações, congressos. Ganha prémios... Está de tal modo visível que já ninguém dá por ele. É o escritor.
Se as coisas continuarem indefinidamente assim, o escritor pode ser alcandorado... já velho ou já morto o escritor. Pedra campal sobre o assunto.
Este é o exemplo do escritor autófago. Comeu-se a si próprio, melhor dizendo, comeu a sua própria imagem. Não por aquela devoração que o acto de criar traz consigo, mas por excesso de confiança na pessoa literata que projectou, como um halo, para todos os lados da sua figura. 
E de que outro modo poderia ser?
Para não falar de modéstia - e afastando, desde já, qualquer vislumbre de proselitismo - eu arriscaria dizer que estará condenado a si mesmo todo o escritor que não prestar mais atenção aos outros e às coisas deste mundo do que à sua - sem dúvida importante, sem dúvida decisiva - preciosa personalidade. O segredo da abelha é esse."  
 
(Alexandre O'Neill - Uma Coisa em Forma de Assim. Ed. Presença, Lisboa: 1985.)
Poeta e escritor, Alexandre O'Neill nasceu em Lisboa a 19 de Dezembro de 1924. Faleceu a 21 de Agosto de 1986. O poeta que gostava de jogar com as palavras e brincar a sério com a língua portuguesa.
Obrigada, O'Neill _/\_
Maria, 21-08-2015


sábado, 13 de junho de 2015

Prece



Imagem: "The ocean; O mar"

"Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ancia -,
Com que a chamma do exforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!"

(Excerto - Prece. In "Mensagem", Fernando Pessoa)


Peço ao vento, ao sopro, ao espírito,
que reacenda a minha alma,
para que possa amar,
com minha chama,
o mar imenso, universal,
esse imenso mar,
que se oculta em cada alma
e que possa ultrapassar
o assombro, o que a todos
ainda nos separa.

(Maria, 13-06-2015)

sexta-feira, 27 de março de 2015

Cata-vento...


Cata, cata-vento meu...
Diz-me de que lado vem o vento,
mas deixa-o passar!
Que o vento é de onde vem
e ninguém o pode segurar...

E toda a noite o galo cantou,
na chaminé.
E o vento, assobiando,
espiralado, no telhado,
desnorteado... enregelado...
ensularado... aconchegado...
Deixou o cata-vento,
Enfim, bateu asas, e voou!


Imagem:"Cata-vento; Weather vane." in https://flic.kr/p/qRt3da



(Maria, 27-03-15)

sexta-feira, 6 de março de 2015

Apogeu lunar...


Imagem: "March Full MooN" in https://flic.kr/p/qwUBEe
Não é por ser,
das Cheias, 
a mais pequena
que este ano tem,
Que deixa de ser 
tão bela.
Esta Lua,
pequena,
cheia e amarela...
Em apogeu lunar,
distante da Terra.




(Maria, 5-03-15)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Precisam-se... @loucos


Partilho, porque há alguém procurando:

«Precisa-se de loucos...»

"De loucos uns pelos outros! Que nos seus surtos de loucura tenham habilidades suficientes para agir como treinadores de um mundo melhor. Que olhem a ética, o respeito às pessoas e a responsabilidade social não apenas como princípios organizacionais, mas como verdadeiros compromissos com o Universo.
De loucos de paixão. Não só pelo trabalho, mas principalmente por gente, que vejam em cada ser humano o reflexo de si próprios, trabalhando para que velhas competências dêem lugar ao brilho no olhar e a comportamentos humanizados.
De loucos de coragem para aplicar a diversidade nas suas fileiras de trabalho, promovendo a igualdade de condições sem reservas.
De loucos visionários que, além da prospecção de cenários futuros, possam assegurar um novo amanhã, criando estratégias de negócios que estejam intrinsecamente ligadas à felicidade das pessoas. Primeiro a gente é feliz, depois a gente faz sucesso, não se pode inverter esta ordem.
De loucos pelo desconhecido que caminhem na contramão da história, ouvindo menos o que os gurus tem a dizer sobre mobilidade de capitais, tecnologia ou eficiência empresarial e ouvindo mais os seus próprios corações.
De loucos poliglotas que não falem inglês, espanhol, francês ou italiano..., mas que falem a língua universal do amor, do amor que transforma, modifica e melhora.
Simplesmente de loucos de amor. De amor que transcende toda a hierarquia, que quebra paradigmas. Amor que cada ser humano deve despertar e desenvolver dentro de si e pôr ao serviço da vida própria e do outro. Amor cheio de energia, amor do diálogo e da compreensão...
Urgentemente de loucos, capazes de implantar novos modelos de gestão, essencialmente focados no SER, sem receios de serem chamados de insanos, que saibam que a felicidade consiste em realizar as grandes verdades e não somente em ouvi-las…"
(Fonte: «Precisa-se de Loucos» - Rivalcir Liberato, 2007) 

   Imagem: "Vénus e Mercúrio ao entardecer ~ Venus and Mercury after sunset" in: https://flic.kr/p/qu4bub

Se conhecerem alguém assim, estejam à vontade para partilhar!

Já há muito tempo que se procuram... :)

Também podem usar a "hashtag":
#loucosmundo...
#loucosvialactea...
#loucoslaniakea...
#loucosuniverso...
#loucosorg...
#loucosgente...

E o email:

loucosgente_vialactea@laniakea.uni...

 Para mais informações, vejam no sítio:
www.loucosgente-vialactea.laniakea/universo...

Grata a todos pela colaboração _/\_

E tenham uma existência "louca" e feliz!
Abraço, Maria

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Anos poemando-noS...

Imagem: "Cegonha voando no céu ~ Stork flying in the sky" in https://flic.kr/p/qjZzT4


Os anos são como aves que chegam
      não se sabe de onde e pousam
             no presente que vês.
                     Quando dás conta, eles voam
                            ora poente, ora nascente,
                                  filhos imortais de um tempo
                                        latente, primordial.
                                                 À espera de almas que nele possam
                                                         se encontrar... 
                                                              E em movimento natural,
                                                                       pousar, amar, vibrar.
                                                                              Depois, em maravilhoso espanto,
                                                                                          poemar e voar.

(Maria, adaptação de "Os Poemas" - Esconderijos do Tempo - de Mário Quintana)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Solstício de dezembro...


Olho as aves a sobrevoar
o solstício de dezembro! 
E juntas nos deixam sinais,
com alma, desenhados no ar.

Dançando como folhas,
unindo hemisférios.

E cânticos suaves
pintam os céus,
às ondas, às ondas,
em felizes e leves rituais... 

Imagem: "Olá Solstício - Hello Solstice" in https://flic.kr/p/quSQDe

 (Maria, 23-12-14)

Céu de dezembro...


Imagem: "Céu de Dezembro ~ December Sky" in https://flic.kr/p/qrKQne



Céu de dezembro é corredio,
é carmim...
E as pessoas brilham tanto,
que eu diria:
são estrelas cintilantes, enfim!

 (Adaptação do poema "Cristalizações", 
  de Cesário Verde) 

 
     

(Maria, 18-12-14)


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

SEjamos, poema...


Sejamos, poema!
inseguro, incompleto,
mas desperto.

Sejamos, rima!
som, harmonia,
pares, em verso.

Sejamos, verso!
rimando em gesto
e palavra,
com quem por nós passa.

Sejamos, prosa!
teimosa, em longa
composição, no nosso
coração.


Sejamos, por fim!
Nós, laços,
inteiros, verdadeiros.
Tecidos em carinho,
e abraços.


Imagem: Sejamos!

Sejamos!
E que o nada
não possa ser
em nosso lugar.
 
 (Maria, 15-12-2014)


"Antes teor que teorema
vê lá se além de poeta
és tu poema"
(Agostinho da Silva) 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ESpelhos


Gosto muito de espelhos...

De todos os espelhos,
daqueles que nos passam por dentro
e esperam por nós...


Imagem: ESpelhos

  Espelhos de água,
desertos,
que nos mostram o céu...

Espelhos de tempo,
que voam connosco,
universo adentro...

E nos fazem andar
num contínuo,
paralelo movimento...

E nos mostram
que somos tão só
o momento...



(Maria, Espelhos)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Thank you all!





(Image: "Two Matches", Unknown Author)
Today I am grateful.

Thank you for being!
Just the way you are.
Thank you for all you've
taught me these past years.
Thank you for being part of my life,
my work, my walk.


Happy, happy Merry Christmas
and a New Year full of light!



Hugs, Maria


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Obrigada, Nadir!




Eu sei que não acreditavas na existência do tempo. E que passado, presente e futuro dependem da nossa crença e visão sobre a velocidade na distância do momento.
Por isso pintaste e combinaste, em geométrica harmonia, ponto... linha... recta... curva..., comprimento... área... volume..., ângulo... triângulo... rectângulo... esfera... cubo...
E em círculo brincaste, em quadr(ad)os que nos deixaste, pra contigo voarmos também nessa fantástica ilusão.


Obrigada, Nadir Afonso!
_/\_
Maria




Imagem: Nadir Afonso, 4 de Dezembro de 2013 (rosa Reis fotos 057.jpg)



Nadir, quando o tempo não existe...

"A Natureza não faz previsões: o homem é que as faz. É por desconhecer esta verdade natural que caímos no erro da existência do tempo.
Ora, o tempo não existe. Há contudo, uma forte crença nos homens que julgam pressentir o tempo, quando o que eles pressentem é a distância a percorrer pelo móvel: gera-se a ilusão de que numa distância predeterminada a uma grande velocidade corresponde um menor tempo decorrido e vice-versa."
(Nadir Afonso, «Manifesto: O Tempo não existe». Lisboa, Ed. Dinalivro, 2010. http://nadirdechaves.blogs.sapo.pt/8196.html)


(Nadir Afonso, pintor, arquitecto, investigador no domínio da estética, nasceu em Chaves a 4 de Dezembro de 1920.

Um dos maiores artistas na Arte Portuguesa do século XX, autor de obra vasta e complexa onde avultam "Espacillimité", "La Sensibilité Plastique", "Mécanismes de la Création Artistique", "O Sentido da Arte", "Da Intuição Artística ao Raciocínio Estético", "Van Gogh".
Apesar de se ter formado em Arquitectura, na Escola de Belas-Artes do Porto, em 1948, ingressa, em 1946, na École des Beaux-Arts de Paris para estudar Pintura, a sua grande paixão. Que se revela logo aos quatro anos, quando traçou, na parede da sala da sua casa, um círculo perfeito a tinta vermelha.
Em 1934 realizou os primeiros trabalhos a óleo e, em 1938, ganhou o segundo prémio do concurso "Qual o mais belo trecho da paisagem portuguesa?"
Mesmo antes de tirar o curso de Arquitectura, nunca deixou de pintar e, na década de 40, começou a expor e a ter impacto junto da crítica.
Em 1951 foi colaborador do Arquitecto Le Corbusier, com quem já antes (1946/1948) tinha trabalhado.
De 1952 a 1954 trabalha no Brasil com Óscar Niemeyer, dirigindo o escritório de São Paulo.
Posteriormente regressa a Paris e desenvolve um estudo que denomina "Espacillimité", que expõe, em 1958, no Salon des Réalités Nouvelles.
Em 1965, Nadir abandona definitivamente a sua "penosa" Arquitectura para se dedicar em exclusivo à sua paixão, a Pintura.
Desenvolveu então estudos sobre geometria, que considera ser a essência da Arte.
Foi Prémio Nacional de Pintura, em 1967, e Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, em 1969.
Foi condecorado com os graus de Oficial (1984) e de Grande Oficial (2010) da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Está representado em Museus das cidades de Lisboa, Porto, Amarante, Rio de Janeiro, São Paulo, Budapeste, Paris, Wurzburg, Roma, Berlim, entre outros.
Já não assistiu à conclusão e inauguração da Fundação Nadir Afonso, em Chaves, projecto do arquitecto Siza Vieira, mas continuava a pintar, «em silêncio até ao esfalfamento».

Faleceu em Cascais, a 11 de Dezembro de 2013.)



 Mais sobre Nadir Afonso:

» Afonso, Nadir, Manifesto: O Tempo não existe, Lisboa, Ed. Dinalivro, 2010.

» Círculo Vermelho, Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem!..., Chronological Biography - Nadir Afonso, www.nadirdechaves.blogs.sapo.pt/7443.html

» Entrevista a Nadir Afonso, www.espacillimite.blogs.sapo.pt/85206.html

» Nadir Afonso - Facebook, www.facebook.com/nadirafonso

» Nadir Afonso - Wikipédia, www.pt.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso

» www.nadirafonso.com

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Obrigada, Madiba!



Sempre que
dois (ou mais)
caminhos se encontram...
ficam ligados para sempre!



(Imagem: "Caminho(s)" in http://flic.kr/p/icYXRw)



 


Madiba, quando a chuva vem... 


«Num encontro com as antigas primeiras-damas (mulheres dos três últimos Presidentes sul-africanos que tinham chefiado o Estado até à queda do apartheid) Mandela ironizou, com característica bonomia, que a má memória do colonialismo britânico se redimia um pouco com o ritual do chá que tinham deixado para trás. E Mandela soube aproveitar os bons legados e ignorar os maus. É o seu grande mérito. (...)
E conseguiu fazer isso tomando chá com primeiras-damas africâneres e apadrinhando a Seleção Nacional de Râguebi, o desporto-rei dos colonos.
Com isso começou a levar atrás de si uma nação sul-africana multirracial e saudavelmente multicultural. (...)
Com sabedoria, Mandela não cometeu os enormes erros de outros processos de descolonização, que alienaram as comunidades coloniais europeias. Se, nestes casos, a mensagem foi "vão-se embora que esta terra é nossa", em Joanesburgo e no Cabo, mesmo nos mais crispados momentos da transição, Mandela fez um convite: "Fiquem por favor, vamos discutir os problemas com uma boa chávena de chá".
Os colonos sul-africanos retribuíram-lhe a cortesia, abraçando com generalizado entusiasmo um projeto nacional que poucos anos antes parecia impensável. Mandela soube acordar atitudes que na era da globalização pareciam fora de moda: o patriotismo e um sereno e jubilante amor à terra. Ingredientes que transformam colonos em cidadãos.
No seu discurso de tomada de posse falou do sentimento comum a todos os sul-africanos, que é:
- "Aquela euforia nacional que se sente quando a chuva vem, a erva fica verde e as flores aparecem".
Isso, diz ele, "é o ritual de unidade que todos temos nesta nossa terra".

Invejáveis rituais de Bem-Estar. Que sorte os sul-africanos tiveram em conhecer alguém assim.
Bem-aventurados os que partilham de tão agradável cerimonial.»

(Adapt. de: «Nelson Mandela», A minha vida deu um livro. A. Hagemann, Ed. Expresso, 2011. Pp.7-9)

 ("Nelson Rolihlahla Mandela nasceu a 18 de Julho de 1918, na aldeia de Mvezo, nas margens do rio Mbashe, na região do Transkei. Com as suas verdes colinas, os seus vales profundos e a sua costa selvagem virada para o Oceano Índico, a região do Transkei constitui a parte sudeste da África do Sul, sendo habitada sobretudo pelo povo Xhosa... «povo orgulhoso com uma língua expressiva e melódica e uma crença inabalável no significado de direito, educação e civilidade. Todos os Xhosa pertenciam a um clã, o que faz remontar a sua origem a um determinado antepassado. Eu pertenço ao clã Madiba, cujo nome advém de um chefe Thembu que governou a região do Transkei no século XVIII. É comum chamarem-me Madiba, o meu nome de clã...»" In op.cit., p.15. Faleceu a 5 de Dezembro de 2013.)

Obrigada, Madiba _/\_
Thank you, Madiba _/\_
Maria



 

sábado, 23 de novembro de 2013

À lareira...



Sempre que a chuva vai
e o frio e a geada vêm
olho à noite prà lareira
e no silêncio há volta:
o som da lenha que chora
e a sombra que dobra
e uma pomba branca
sai voando e se forma...


(Imagem: "À lareira-PT" in http://flic.kr/p/hM9gce)

(Maria, 23-11-2013)

Tempo de Outono...


 

 Tempo de Outono
É tempo de recolha,
de colheita,
de realização colectiva.


(Imagem: "Os Castanheiros" in O Meu Livro de 2ª Cl., 1958, p.61)


É tempo de celebração,
de partilha, do coração,
de Magusto, da castanha...

 
(Imagem: "Castanhas, Portugal" in http://flic.kr/p/hs5TCc)


Um abraço, 
Maria
(31-10-2013)

domingo, 20 de outubro de 2013

Às Árvores...



Árvores são...
"poemas que a terra faz ao céu..."


Imagem: (1) Vista do Castelo de Sesimbra, o castelo sobre o mar, rodeado pelas montanhas do maciço da Arrábida. Sesimbra, Portugal.

Verticais, fractais,
raízes, centro e ligação,
duplas ou invertidas,
desenhadas, em inspiração,
cantadas, com emoção,
vividas, sentidas,
com paixão, em cada tradição...
Até aos nossos dias.
Árvores da Vida,
do Mundo,
do Conhecimento...
Amigas da celebração,
da perpétua regeneração.

(Maria, 13-10-2013)



E a simbologia da árvore é tão rica, variada, vasta, difundida, recriada e em todos nós, em todos os tempos e culturas, presente!
Recordo-me de Da Vinci, e da sua representação, mas também da "Árvore das Palavras", de Teolinda Gersão, da "Alma das Árvores", de A.C. de Oliveira, da "Velha Árvore", de Olavo Bilac, e das "árvores, poemas que a terra escreve para o céu..." de Khalil Gibran.



"Em volta da árvore cantavam e dançavam, diz Lóia. Da árvore dos antepassados. Junto dela ofereciam sacrifícios de farinha em sua honra, porque era deles que vinha o espírito que se dava aos filhos. Em volta da árvore cantavam e dançavam... As pessoas, muitas pessoas, aproximavam-se cantando, isso passava-se mais longe, ao longo do rio Incomati, dizia Lóia. Cantavam e os espíritos ouviam..."  
(Teolinda Gersão in "A Árvore das Palavras". Publ. D.Quixote, Lisboa - 1997/1ª ed., p.28. Relato da sua infância e juventude passadas na então Lourenço Marques)


"Ouve, meu filho: cheio de carinho,
Ama as Árvores, ama. E, se puderes,
(E poderás: tu podes quando queres!)
Vai-as plantando à beira do caminho.

Hoje uma, outra amanhã, devagarinho.
Serão em fruto e flor, quando cresceres.
Façam os outros como tu fizeres:

Aves de Abril que vão compondo o ninho."

(A.C.Oliveira, «A Alma das Árvores». António Correia de Oliveira (N.1879/F.1960), poeta e jornalista português.)  




Imagem: (2) Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. No coração de Lisboa, Museu Nacional de História Natural e da Ciência, Portugal.


"Olha estas velhas árvores, - mais belas,
Do que as árvores mais moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera e o inseto à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E alegria das aves tagarelas...

Não choremos jamais a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,

Dando sombra e consolo aos que padecem!"
(Olavo Bilac, «As Velhas Árvores». Olavo Bráz Martins dos Guimarães Bilac (N.1865/F.1918), escritor, poeta, jornalista e membro fundador da Academia Brasileira de Letras.)



"Símbolo da vida, em perpétua evolução, em ascensão para o céu, a árvore evoca todo o simbolismo da verticalidade, enquanto serve também para simbolizar o carácter cíclico da evolução cósmica: morte e regeneração; as frondosas, sobretudo evocam um ciclo, pois despojam-se e cobrem-se todos os anos de folhas...
A «árvore do mundo», sinónimo de «eixo do mundo», é representada pelo poste do acampamento dos índios Sioux, em torno do qual se realiza a dança do sol. É o pilar central que sustenta o templo ou a casa, na tradição judaico-cristã, e é também a coluna vertebral sustentando o corpo humano, templo da alma."  (Jean Chevalier/Alain Gheerbrant - Dicionário dos Símbolos. Ed. Teorema, Lisboa/1994, p.88-92)


(Maria, 20-10-2013)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Descobri...



Descobri que tenho uma paixão pela beleza.

Aquela beleza presente em todas as formas de arte, expressão do sentir humano na diversidade, em todas as ciências, expressão humana dos porquês na variedade da natureza, em todas as culturas, expressão dos modos de ver e viver, em todos os mitos e lendas, expressão sentida do desconhecido, em todos os seres, expressão da vida.

Por tudo isso, e muito mais, estou feliz por poder sentir-te e viver-te, beleza. Obrigada por existires!!



 (Maria, 9-10-2013)