domingo, 23 de junho de 2013

Lua colorida...








A minha lua é colorida...






Há um sol que brilha com ela...


  

 





Gosto dela, muito, assim... 
brincando com as cores,























Um pontinho no céu...
azul, verde ou amarela,
rosa ou carmim... 





Cheia, espreitando e sorrindo pra nós...




 E como é bom, simples, apenas,  
olhar pra ela...




e guardar somente o seu belo em mim...










Maria, SuperLuaCheia, 23-06-2013





Mais sobre a Super Lua Cheia: Observatório Astronómico de Lisboa

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ao aBraço!



Dizem que hoje é o Dia do Abraço!

Mas o abraço também tem Dia?
Que teimosia esta dos Dias,
que não pára de contar
o tempo que há nos dias!
Até para abraçar
quem o tempo nos faz lembrar...

Um sempre cheio aBraço para todos,
Maria



quinta-feira, 9 de maio de 2013

À Espiga...



Saí, espiga velhinha,
pendurada que estava na porta,
seca e protectora...
 
E me transformei numa nova...
Pra trigar, em cada lar,
E nunca o alimento faltar.





(Maria, 9-05-2013)




«O Dia da Espiga celebra a Primavera e consagra a Natureza. Herdeiro directo de rituais gentios, de intensos cantares e danças, realizados durante séculos por todo o mundo mediterrâneo.
Para os povos arcaicos, esta data, como todos os momentos de transição, era mágica e de sublime importância. Nela se exortava o eclodir da vida vegetal e animal, após a letargia dos meses frios, e a esperança das novas colheitas.
O Dia da Espiga, coincidente com a Quinta-feira da Ascenção, é uma data móvel que segue o calendário litúrgico cristão, assinalando, para os cristãos, a ascensão de Jesus Cristo ao Céu, ao fim de 40 dias. À semelhança do que fez com outras festas ancestrais pagãs, a Igreja cristianiza a data e esta atravessa os tempos com uma dupla acepção: como Quinta-feira de Ascenção e como Dia da Espiga, traduzindo esta aspectos e crenças não religiosos, mas exclusivos da esfera agrícola e familiar, com origem muito anterior à era cristã.
O Dia da Espiga é então o dia em que as pessoas vão ao campo apanhar a espiga, que não é apenas um viçoso ramo de várias plantas. A sua composição, número e significado varia de região para região, e é guardado durante um ano, pendurado, normalmente, na parede da cozinha ou da sala, como multifacetado amuleto, para trazer a abundância, a alegria, a saúde e a sorte.
Em muitas terras, ainda, quando faz trovoada, as gentes deitam à lareira um dos pés do ramo da espiga, para afastar a tormenta.
Não obstante as variações locais, de modo geral o ramo de espiga é composto por:
-pés de trigo e de outros cereais, como centeio, cevada ou aveia;
-ramo de oliveira;
-ramo de videira;
-papoilas;
-malmequeres;
-outras flores campestres.

E a simbologia de cada planta, comumente aceite é a seguinte:
-o trigo representa o pão;
-a oliveira, o azeite e a paz;
-a videira, o vinho e a alegria;
-a papoila, o amor e a vida;
-o malmequer, o ouro e a prata,
-o alecrim, a saúde e a força.

Além destas associações ao pão e ao azeite, a espiga surge também conotada com o leite, com as proibições do trabalho e ainda com o poder da Hora, isto é, com o período de tempo que decorre entre o meio-dia e a uma hora da tarde, tomando mesmo, nalguns sítios em Portugal, a designação de Dia da Hora. Nas localidades em que assim acontece, acredita-se que neste período do dia se manifestam os mais sagrados e encantatórios poderes da data, e, nas igrejas, realiza-se um serviço religioso de Adoração, após o qual toca o sino. Diz a voz popular que nessa hora "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as folhas se cruzam".
»

(Fonte: "Festividades Cíclicas em Portugal" - Ernesto Veiga de Oliveira. Lisboa: Publ. Dom Quixote, 1984.)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Dança ao Sol


Escrevi-te, Sol,
uma mensagem a cores,
pintada,
em frequências de luz,
 e em arco-íris, gravada...

E num intervalo,
comprimento de onda, bastante,
a uma velocidade constante,
te pedi, 
pra minha mensagem voar!

E chegar,
num vazio espaço, 
quase perfeito,
sem intermédio, 
às estrelas, mais além...

Já recebeste?
Pra que a Terra, não deixes,
nunca, de iluminar!
E com teu vento solar
com ela, sempre, 
meigamente, dançar. 



(Maria, 3-05-2013)



"Quando te tiveres erguido a oriente no horizonte,
Terás enchido todas as terras com a tua beleza...
Mesmo estando muito longe, os teus raios estão sobre a Terra
."

(Akhenaton, Hino ao Sol (excerto), 1370 a.C.)





Vamos dançar...


Gosto de dançar
e ver dançar!

O Merengue da República Dominicana
e o Chá-Chá-Chá cubano e latino-americano
a Dança do Ventre, do Oriente,
cheia de Mil e Uma Noites, mágica, materna, ondulada!
E o Samba brasileiro, em movimentos sensuais,
o Tango sério, apaixonado, masculino, argentino.
Até a Salsa de Cuba, dança com sabor...
e o Paso Doble, com origem espanhola.

O Sapateado da Irlanda,
por Fred Astaire e Ginger Rogers imortalizado.
E o Kizomba de Angola, sempre em festa!
Ou o Kuduro africano, de quadril firme e duro.
E o corridinho português,
o Vira do Minho
e o Fandango ribatejano,
em traje de gala lusitano.
E da Madeira, o bailinho,
rodado e colorido
em jardim bailado
no meio do mar plantado...

E tantas, tantas outras!...

Mas o que eu gosto mais,
é de ver tanta gente rodando,
em harmonia, dançando,
na Terra, sem parar...
envoltas no mesmo som,
transportado pelo mesmo ar,
ouvindo as mesmas ondas
em frequência tridimensional.

E escutando outras!...
Por aí a vaguear,
a aguardar...
que à velocidade da luz
o passo possamos acertar
e com elas,
crescer e evolucionar.




(Maria, 29-04-2013)


"The emotions are stirred and take form in words.
If words are not enough, we speak in sighs.
If sighs are not enough, we sing them.
If singing is not enough, then unconsciously
our hands dance them and our feet tap them
."

(Message from Lin Hwai-min, Founder/Artistic Director, Cloud Gate Dance Theatre of Taiwan.  It is said in the Great Preface of "The Book of Songs," an anthology of Chinese poems dating from the 10th to the 7th century BC)

Mais info:
International Theatre Institute ITI - World Organization for the Performing Arts: International Dance Day: 2013 Message Author
Scientific American Brasil: A neurociência da dança

terça-feira, 23 de abril de 2013

Para ti... Livro



Gosto quando te leio e folheio
e passeio nas tuas páginas coloridas,
escritas ou impressas,
soltas ou cosidas,
manuscritas,
ou navegando no digital.

Quando as tuas palavras
escorreitas e direitas
dizem as coisas claramente
e põem os pontos nos is,
sem reticências.

Ou quando deixas no ar,
com três pontos,
as tuas ideias
pra me deixar voar...

E quando puxas por mim,
e entre dois pontos,
fazes extensa enumeração ou explicitação,
e, por fim,
entre vírgulas,
a uma pausa sensata
de curta duração.

E entre aspas
me desafias
pra uma citação...

E por vezes me enleias,
em inquieto travessão,
com personagens
tão longínquas e próximas,
em falas de emoção!

E entre parênteses,
deixas apartes
e te metes entre elas, 
de permeio,
com tua interposição,
em observação...

E quando, em ponto final,
me deixas,
envolta na tua conclusão,
vivo, em repouso, 
deitado a chão
em imensa solidão...

E eu contigo, no meu coração,
mexendo em minha razão,
em interrogação, exclamação,
desassossego e inspiração...
olhando, pesando e pensando,
outros olhos, em transformação...


Imagem: "Livro..."


(Maria, 23-04-2013)


Dia Internacional do Livro, dedicado à Bibliodiversidade:
"A Bibliodiversidade pode entender-se como a oferta variada de livros. Contudo, mais do que esta definição, prosaica e redutora do fenómeno cultural a uma simples medida económica, a variedade pressupõe a multiplicidade linguística, que vai do idioma mais estranho ao dialecto quotidiano; a liberdade ideológica e a janela que oferece ao mar inquieto das verdades, que não é só uma; a possibilidade de viver o que outros sofreram e amaram, no passado, ou sofrem e amam em terras longínquas. (...) É, pois, a capacidade de elegermos entre quantos mundos nos oferecem os olhos dos outros e, com eles ou face a eles, aprendermos sobre o nosso próprio mundo.
Desde há muito se tem afirmado, uma e outra vez, que uma pessoa só se define e conhece em relação com o que não é: quanto mais pobre for a realidade que nos rodeia, mais pobres seremos nós próprios.
É por isso que a chamada à Bibliodiversidade, centrada tanto quanto possa estar num problema de produção e oferta, é, acima de tudo, um reconhecimento e uma petição para que ampliemos a nossa vida com um olhar estranho e, compreendendo os demais, nos entendamos e cresçamos...
"
 (Adaptação e tradução livre de excerto da "Comunicação de Fernando Zapata López, Director do CERLALC - Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe/UNESCO", no Dia Internacional do Livro, 2013, que se comemora hoje, 23 de Abril.)

Mais info:
CERLALC - Centro Regional para el Fomento del Libro en América Latina y el Caribe
UNESCO - CERLALC-Message

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Almada... o menino


E a fé com que inventou o seu futuro...


"A flor
Pede-se a uma criança: Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era de mais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!"
 




"Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando eu voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
"
 (Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro, 1921)


José Sobral de Almada Negreiros, nasceu a 7 de Abril de 1893, em São Tomé e Príncipe, e faleceu em Lisboa, a 15 de Junho de 1970, com 77 anos.
Artista multifacetado, símbolo da arte moderna portuguesa, foi escritor, poeta, dramaturgo, desenhador, caricaturista-humorista, escultor, pintor.
Colega e amigo de Fernando Pessoa, e de Mário de Sá Carneiro, do grupo do Orpheu, impossível de ter continuadores pois nunca se pede bis pela abertura, como ele próprio dizia(*).

Dedicou a maior parte da sua vida à escrita. Em A Invenção do Dia Claro, de 1921, o meu único livro(*), como lhe chamou em 1953, Almada fala de um filho pródigo que parte em busca de uma vida diferente, junto do saber livresco e civilizacional, mas regressa ao ambiente materno, ciente do seu engano, apontando para a exigência da verdade.
Simultaneamente poesia, prosa e arte poética, é a obra que melhor retrata a face da recuperada ingenuidade infantil de Almada.
Escolhendo modelos que visitam a minha memória(*), O menino entre os doutores(*), como lhe chamava Fernando Pessoa, começou a pintar Na idade em que ainda nada se pinta...; Não era por alegria, foi por necessidade dela.(*)
É sua a pintura mais reconhecida do grande poeta, o retrato do seu amigo ávido do amigo(*), Fernando Pessoa.
Do artista, que do convivio social dizia: A pessoa de arte é a que convive com o maior número de gente diferente, porque não reconhece em cada um a sua classe social apenas.(*)
Almada, para quem alguma boa recordação da infância seria:
Uma. A fé com que inventei o meu futuro.(*)

Ao longo deste ano estão previstos inúmeros eventos que assinalam os 120 anos do seu nascimento.
(*) In "DIGA-NOS A VERDADE", Diário de Lisboa, p.9, Quarta-feira/28 de Janeiro de 1953, nº 10832, ano 32 (Entrevista biográfica conduzida por E.C.)

Mais info:
Biblioteca Nacional Digital de Portugal:  Obras digitalizadas de Almada Negreiros
Centro de Arte Moderna (CAM)/Fundação Calouste Gulbenkian: José de Almada Negreiros
Centro de Arte Moderna (CAM)/Fundação Calouste Gulbenkian: José de Almada Negreiros, Retrato de Fernando Pessoa (1964)
Wikipedia: Diário de Lisboa

(Maria, 10-04-2013)